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TODOS PROCURAMOS A FELICIDADE - Ernesto Olivero

Caros amigos,

Todos sem exceção procuramos a felicidade. Se não a encontramos, é porque a procuramos no lugar errado, da forma errada. Cada um procura a “sua” felicidade, e não pensa que não poderá nunca ser feliz sozinho. Se olhamos ao nosso redor, vemos o deserto no qual as pessoas são obrigadas a viver: solidão de afetos e de relacionamentos; tanta, demasiada dor que oprime, os fracos que sucumbem, os fortes que dominam, os poderosos sempre mais poderosos e os pobres sempre mais pobres... É a história da humanidade, desde sempre. Entretanto, também neste tempo Deus quer que sejamos felizes, e o seremos se fizermos os outros felizes, com Ele em nós. Neste tempo Ele quer operar e só pode se servir de nós. A parte dEle, Ele já fez. Deu-nos todos os instrumentos, nos deu a Si mesmo, desceu em nós. A nossa alma é a casa dEle. É ali que Ele se comunica e comunica a Si mesmo.
Vamos tentar nos colocar em comunicação com a nossa alma.

Alma minha, você é a parte mais íntima de mim, aquela que está com Deus, que conhece a esperança. Acorde e me acorde! Abra os meus olhos! Faça-me olhar o mundo com os olhos de Deus, faça-me dizer “não”.
Se eu disser não a quem destrói, descobrirei a pequena luz que em mim pronuncia o verdadeiro sim.
Se eu fizer a experiência desse sim tão manso e firme, no desastre que penso que talvez seja inevitável, se abrirá a pequena estrada do possível.

Alma minha, lembre-me de quem fez algo de bom na história. Faça-me imitar os santos, aqueles que tiveram uma alma grande. Especialmente nós, nós que dissemos sim a Deus, devemos ser fortemente severos com nós mesmos. Diga-me, alma minha, repreenda-me. Pergunte-me se estou fazendo tudo aquilo que posso ou se eu fiquei preso só às minhas pequenas obrigações. Diga-me se realmente olho o outro no rosto, se o escuto de verdade. Diga-me se, em vez disso, sou um morto vivente, um hipócrita, que não pode ser exemplo para ninguém.

Alma minha, esfole-me, faça-me ver a medida da minha verdade. Prometemos a nós mesmos: primeiro os outros, depois nós. Fazemos isso de verdade e sempre? Aquilo que falamos se transformou ou não em carne e sangue a ser derramado? Aquele pouco de bem que podemos fazer, nós o fazemos por prazer ou por obrigação? Há uma diferença enorme. Nós nos doamos realmente de graça? Quais pretensões escondemos dentro dos nossos pensamentos?

E, enfim, pergunte-me, alma minha, se rezo de verdade, se rezo incessantemente, se não perco nunca a consciência de que sozinho não posso fazer nada, se estou agarrado à mão da Mãe de Deus, a primeira da humanidade a ir para o céu, o melhor sustento na estrada da felicidade. Pergunte-me se penso nela e em Jesus toda vez que respiro. Alma minha, lembre-me de que só a oração, esta oração, me liberta da paralisia dos pensamentos negativos, me faz amar o outro independentemente de como ele é, me lembra que o outro, com todas as suas coisas desagradáveis, sou eu. Lembre-me que se eu o amo, eu me amo. Se eu cuido dele, ganho em sabedoria e entrevejo a luz da felicidade.

Alma minha, rebele-se contra o meu fechar-me no que é pequeno para obedecer aos meus medos. Sacuda-me. Faça-me experimentar a beleza que se respira quando o coração se alarga para que caiba dentro dele toda a a humanidade e, inacreditavelmente, até o infinito de Deus, verdadeira felicidade. E Você, meu Senhor, que habita na minha alma e injeta amor dentro dela mesmo na dureza das provas cotidianas, dê-me a força para assumir as minhas responsabilidades neste tempo, para levar a Sua Presença ao mundo e para ser confiável o bastante para poder transmiti-Lo aos jovens e às pessoas que hoje não acreditam em mais nada. O Senhor, que é o Vivente, dê-me a força para levá-Lo às pessoas com uma tamanha paixão por transmiti-Lo aos jovens, aos filhos dos nossos filhos, para que sejam eles os testemunhos a incendiar o mundo, sejam eles a servir o Seu Reino em meio a nós. Meu Senhor, se os jovens experimentam Você, podem incendiar o mundo de Você. Faça que mesmo através dos nossos jovens esse sonho possa se realizar já, agora, não amanhã.

Caros amigos,
Peço a cada um de nós o senso de responsabilidade pelas palavras que escutamos. O Senhor, o Vivente nos deu este tempo para viver, fala através das nossas palavras e dos nossos silêncios, se faz conhecer através dos fatos da nossa vida. Peçamos a graça de nos darmos conta disso para que cada um de nós possa fazer o seu possível!

Todos nós dissemos um sim que nos parecia inalcançável. Em algum momento da nossa vida todos descobrimos em nós uma força não nossa, uma força que não pensávamos possuir, e podemos dar testemunho disso. Mas o Senhor pode fazer muito mais em cada um de nós, se permitirmos a Ele! Acreditem em mim, o encantamento ainda deve encontrar a sua verdadeira casa em nós, para encantar e para nos encantar. Jesus nos diz: “Quem crê em mim fará as obras que faço e fará até maiores do que elas, porque vou para o Pai” (Jo 14, 12-13). Talvez seja o tempo de acreditarmos, sem “se” e sem “mas”.

Um coração novo nos espera, qualquer que seja o nosso passado e o nosso presente, se o quisermos. Bendigamos uns aos outros.

Com amizade,

Ernesto Olivero
Carta à Fraternidade e aos amigos

Turim, 27 de outubro de 2013